Uma das perguntas mais frequentes no consultório é também uma das mais difíceis de responder sozinha: "será que o que estou percebendo é normal ou já é calvície?"
A dúvida faz sentido. A queda de cabelo faz parte do ciclo natural dos fios — perdemos entre 50 e 100 fios por dia sem que isso represente um problema. O que muda é quando essa queda se torna excessiva, constante, e os fios que nascem voltam cada vez mais finos.
Existe um teste simples que pode ajudar você a perceber se algo precisa de atenção. Ele não substitui uma avaliação profissional, mas funciona como um primeiro sinal de alerta.
O teste do puxão (pull test)
O pull test é um exame clínico usado por tricologistas para avaliar se há queda capilar ativa. Mas você também pode fazer uma versão simplificada em casa, como forma de observação inicial.
Como fazer:
Passe os dedos por uma mecha de cabelo, da raiz até as pontas, com uma leve tração — como se estivesse penteando com as mãos. Repita em diferentes áreas do couro cabeludo: topo, laterais, nuca.
O que observar:
Em condições normais, poucos fios ou nenhum devem sair com esse movimento suave. Se, de forma consistente, vários fios se soltam facilmente a cada passada — especialmente se isso acontece em diferentes regiões —, o pull test é considerado positivo.
Um pull test positivo indica que há queda ativa e que o corpo está liberando fios antes do tempo. Isso pode ter diversas causas: desde questões hormonais e nutricionais até o início de um processo de afinamento progressivo, como a calvície androgenética feminina.
O que é a calvície feminina
A calvície androgenética — também chamada de alopecia androgenética — é o tipo mais comum de perda capilar progressiva, tanto em homens quanto em mulheres. Na mulher, ela se manifesta de forma diferente: raramente leva à calvície total, mas provoca um afinamento gradual dos fios, principalmente no topo da cabeça, enquanto a linha frontal costuma ser preservada.
Os sinais mais comuns incluem a sensação de que o cabelo "não cresce mais como antes", a diminuição do volume geral, o couro cabeludo mais visível sob luz direta e a dificuldade em esconder a raiz com penteados. Muitas vezes, o processo começa de forma tão silenciosa que só é percebido quando já está em estágio mais avançado.
Entre os diferentes tipos de calvície, a androgenética é a mais frequente — mas não é a única. Existem também as alopecias autoimunes (como a alopecia areata), as cicatriciais e os eflúvios (quedas temporárias associadas a estresse, pós-parto ou deficiências nutricionais). Por isso, entender qual tipo está em curso é fundamental antes de iniciar qualquer tratamento.

Por que a calvície feminina acontece
A calvície androgenética é multifatorial — ou seja, não existe uma única causa, mas um conjunto de fatores que se somam.
A predisposição genética é o fator mais determinante. Se há histórico familiar de afinamento capilar, especialmente entre mãe, avós ou tias, a tendência se torna mais provável.
Os hormônios têm papel central. A sensibilidade dos folículos capilares aos andrógenos — hormônios presentes também no corpo feminino — acelera a miniaturização dos fios. É por isso que muitas mulheres percebem mudanças capilares em momentos de transição hormonal, como a menopausa, o pós-parto ou após interrupção de anticoncepcionais.
Condições clínicas associadas, como a síndrome dos ovários policísticos, resistência à insulina, distúrbios da tireoide e deficiências nutricionais (ferro, ferritina, zinco, vitamina D), também podem contribuir para o quadro ou agravá-lo.
O que fazer se você identificar os sinais
Antes de tudo, respire. Um pull test positivo ou a percepção de afinamento não são, por si só, um diagnóstico — são sinais de que algo merece investigação.
O próximo passo é buscar uma avaliação com uma tricologista. A tricoscopia — exame que amplia o couro cabeludo em alta definição — permite identificar se a queda está associada a um eflúvio, a uma alopecia autoimune ou à calvície androgenética propriamente dita. Em casos de dúvida diagnóstica, a biópsia do couro cabeludo pode ser indicada para confirmar o quadro com precisão.
Quanto ao tratamento, não existe um remédio para calvície que funcione de forma universal. O que existe são protocolos personalizados, definidos a partir do diagnóstico correto, que podem incluir medicações orais, tópicos, procedimentos em consultório e ajustes nutricionais. A escolha depende do tipo de alopecia, do estágio em que ela se encontra e das características individuais de cada paciente.

Por que agir cedo importa
A calvície feminina é progressiva. Isso significa que, quanto mais cedo ela é identificada, maiores as chances de estabilizar o quadro e recuperar a densidade dos fios.
Esperar para ver se melhora sozinha, recorrer a soluções genéricas ou ignorar os sinais são atitudes compreensíveis — mas que, na prática, costumam atrasar o cuidado que realmente funciona.
Se você tem notado mais fios no ralo, no travesseiro, na escova — e o pull test confirma essa percepção — considere isso um convite para entender o que está acontecendo. Com clareza, é possível agir com precisão.



